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Fernando Caló: Chamavam-lhe o Domingos Sávio Português

Boletim Salesiano, Fotografias: Arquivo Província Portuguesa da Sociedade Salesiana | mai 01, 2019

Há oitenta anos, no dia 29 de maio de 1939, nascia em Setúbal Fernando Caló, aluno salesiano das escolas do Estoril e de Lisboa que viria a ser um dos modelos da Santidade Juvenil Salesiana. Recordamos a sua curta vida, de jovem irrequieto, um pouco conflituoso e muito impulsivo, a aluno e amigo exemplar.

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Fernando Caló durante a visita do Reitor-Mor, Pe. Renato Ziggiotti, a Portugal, em outubro de 1953, na oficina de composição tipográfica. À esquerda o Provincial, Pe. Agenor Vieira Pontes, e de costas o Diretor, Pe. Armando Monteiro




Fernando Caló nasceu em Setúbal a 29 de maio de 1939, numa família pobre. A mãe, Maria José da Silva Pereira, trabalhava em várias casas como empregada doméstica, o pai, Salvador Machado Caló, trabalhava na venda ambulante de peixe. Com a ajuda de uma tia, a Mãe fixa-se no Estoril como governanta, altura em que Caló é matriculado na Escola Salesiana do Estoril. Ali completa os quatro primeiros anos. No Estoril, fez a primeira comunhão, pertenceu ao coro e frequentou as Companhias da Juventude Salesiana. Em outubro de 1950, com 11 anos, é inscrito como aluno interno de composição tipográfica das Oficinas de São José de Lisboa. 

No livro “O Caló”, publicado em 1960 pelas Edições Salesianas, o autor Gabriel Bosco, pseudónimo do Pe. Ismael de Matos, sublinha que é nos dois últimos anos de vida que Fernando Caló começa a transformar-se de jovem irrequieto, um pouco conflituoso e muito impulsivo, em aluno e amigo exemplar e cumpridor. Segundo o Diretor, Pe. Armando Monteiro, a mudança de Caló reflete-se no ambiente interno da escola, no comportamento geral dos alunos. E até na sua mãe. Um dos objetivos de Fernando é aproximar mais a mãe da Igreja, da Eucaristia, da Confissão. 

Noutra biografia, “Fernando Caló - Atleta do Senhor”, da editora salesiana Elledici, recorda-se que, como Domingos Sávio, Fernando Caló, no dia 8 de dezembro de 1954, faz a sua consagração a Nossa Senhora e diante da figura de Nossa Senhora Auxiliadora lê os seus propósitos: «1. Quero ser santo. Para sê-lo farei como Domingos Sávio, que será o meu modelo. 2. Guerra às más conversas. Não as terei, nem as quero ouvir. 3. Farei as minhas confissões e comunhões com frequência. 4. Entrego-me às mãos da Imaculada a fim de que Ela, por meio do meu confessor e do meu diretor espiritual, faça de mim um jovem puro e santo». E a 9 de março de 1955 escrevia no seu diário: «No dia de S. Domingos Sávio, a exemplo do meu santo modelo, fiz o propósito: “Antes morrer que pecar”». 

Foi considerado, mais do que uma vez, o melhor aluno em comportamento e nos estudos e chegou a ser eleito presidente da Companhia da Imaculada Conceição, uma das companhias, reservada aos melhores alunos, entre os mais velhos. 
Um dia, a jogar futebol no pátio, bateu com a cabeça numa das colunas do pórtico. Foi no dia 22 de abril de 1956. Do acidente resultam várias lesões de que não volta a recuperar. Nos últimos meses de vida deveria completar o curso e fazer exame diante do júri do Sindicato dos Tipógrafos, mas não é possível. O Diretor propõe aos colegas atribuir o primeiro prémio de comportamento, os 165 internos concordam. Na festa de encerramento é a mãe de Caló que recebe das mãos do Subsecretário da Educação os dois diplomas. Caló recebe-os das mãos da mãe na cama do Hospital.

Faleceu no dia 26 de julho. Na carta que o diretor da escola escreveu aos colegas a comunicar a sua morte, o Pe. Armando Monteiro recorda «o aluno exemplar, o companheiro sempre leal, o rapaz alegre e vivo, um modelo invulgar de piedade, de aplicação e de pureza». 


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Momentos da vida de Fernando Caló: em cima, numa representação teatral no Estoril; em Lisboa com a equipa de futebol; na fotografia do grupo de internos de 1953-54, Caló é o jovem ao centro na terceira fila de alunos

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